O Integralismo bate-se contra dois regimes, duas forças, dois inimigos, que parecem contrários um ao outro, que aparentemente se chocam, mas que na essência são irmãos, se entendem, se combinam muitas vezes por trás dos bastidores. Uma dessas forças é simplesmente o inverso da outra. Ambas não passam do positivo e negativo da mesma chapa fotográfica. São o capitalismo e o comunismo.

O capitalismo destrói a propriedade do maior número em benefício da posse nas mãos de pequeno número; destrói a Pátria com a finança internacional, o capital que emigra ao sabor de suas conveniências, sem se sacrificar por este ou aquele país, obediente ao lema: “O dinheiro não tem pátria”; destrói a família pelo luxo, a orgia, os gozos, a perda da noção de honra ante o poder do dinheiro; destrói Deus com a sua concepção materialista da existência, a adoração do Bezerro de Ouro, o mamonismo.

Vivendo de explorar a maioria da sociedade, arranca-lhe as últimas migalhas para aumentar seus proventos e fica indiferente, inerte ou simplesmente limitado a uma caridade formalista e cabotina, diante do sofrimento dos trabalhadores. Isso gera a revolta dos que têm fome e veem os filhos com fome. A ostentação do luxo e do sensualismo irrita os deserdados da sorte. O exemplo da incredulidade e do ceticismo nacional os invade.

Então, o capitalismo que gerou todas essas destruições, na sua ânsia de possuir, além do poder do ouro, conjuntamente, o poder político e dominar judaicamente o mundo, assopra, às massas que tornou rebeldes e descrentes, como único remédio às suas dores o ideal comunista: destruição definitiva da propriedade pelo capitalismo de Estado; destruição definitiva da família pelo amor livre, o aborto oficial e a entrega dos filhos ao Estado; destruição definitiva da Pátria pela sua inclusão numa União Soviética pertencente a uma Internacional numerada, o comunismo é internacional como o capitalismo; destruição definitiva da ideia de Deus pelas campanhas pró-ateísmo.

Vê-se claramente que o comunismo não reage contra o capitalismo, como falsamente apregoa. Antes pelo contrário. Quintessencia seus princípios. Torna definitivas as destruições que ele iniciou. Conclui os arrasamentos. Completa-o. Coroa-lhe a obra.

Essa obra é a obra judaica de dominação universal. Ela se processa por dois flancos contra a sociedade moderna. De um lado, avança o capitalismo internacional com a artilharia pesada dos empréstimos, da usura, das concessões, dos monopólios que arrancam a última camisa dos povos. Do outro, vem a cavalaria cossaca do comunismo internacional com seu materialismo infame, que escravizará os povos inteiramente ao desabrigo, com a matança das elites, com o terrorismo asiático.

O capitalismo internacional é o capitalismo dos grupos financeiros judaicos. O comunismo internacional é, como pontificou Lênin, o “capitalismo de Estado”. Este nasce daquele, amplia-lhe a órbita de influência e ação. No capitalismo, os grupos de judeus têm somente o domínio do dinheiro com o qual influenciam o governo, o poder. No comunismo, os grupos de judeus se apoderam do Estado, além do dinheiro, ficando também de posse das proles, dos indivíduos escravizados, de todos os meios de produção, da riqueza dos países. O plano está exposto com clareza meridiana nos “Protocolos dos Sábios de Sião”. Ao proletário, o capitalismo deixou ao menos a prole; o comunismo até a prole lhe arranca.

Sendo complemento do capitalismo, o comunismo não pode ser o remédio preciso para a angústia social do nosso século. Mascara-se de reação tão somente. Eis porque, aprofundando bem a questão, se verifica que o capitalismo não é visceralmente contrário ao comunismo e que os elementos judaicos são seus melhores propagandistas. O remédio é o Integralismo que combate os dois e é combatido pelos dois.

Por que esse combate sem piedade?

Imaginemos que um dia os bacilos de Koch tivessem imprensa diária, com matutinos graves e vespertinos que tirassem oito ou nove edições, iludindo o público com seus títulos enormes e vazios. Que faria em primeiro lugar essa imprensa? Cerradíssima campanha contra os específicos contrários ao micróbio da tuberculose, contra o pneumotórax, os fortificantes, os sanatórios, o clima de Davos e Campos do Jordão. Naturalmente. Não cairia na tolice sem par de elogiar o micróbio da peste branca, muito menos a própria enfermidade. Mas trataria de demonstrar a defeituosa manipulação dos remédios, a ineficácia dos fortificantes, os defeitos dos sanatórios, os inconvenientes do pneumotórax e a insalubridade de Davos e Campos do Jordão.

A imprensa amilhada ao judaísmo procede do mesmo modo. Ela não cai na esparrela de elogiar os usurários judeus e os comunistas; porém apregoa, adulterando os fatos e os textos, os defeitos e perigos do Integralismo. Ora, afastada da competição a doutrina integralista, que resta hoje em dia no cenário social? O liberalismo e o comunismo. Toda a gente já está farta de saber que o liberalismo já deu o que tinha que dar, está morto e cheira mal. Então, logicamente, a obra de derrotismo da imprensa contra o Integralismo é obra de incentivo comunista. Mais uma vez, capitalismo e comunismo estão de parceria, embora aparentemente se finjam adversários.

A única reação possível contra o capitalismo-comunismo é o Integralismo. Porque, em primeiro lugar, afirma Deus como a suprema norma moral do Universo. O fiel regulador do Bem e do Mal não pode ser entregue ao homem ou às instituições humanas, que são variáveis e contingentes no tempo e no espaço. Imutável e eterno, ele somente pode estar fora da humanidade. Não há, pois, moral sem Deus. Não havendo moral, não pode haver justiça social e, se não há justiça social, não há pão para todos.

Quando o comunista brada por pão, exige um simples fundamento material, o menor que pode exigir. Quando o Integralista afirma Deus afirma o maior, afirma o princípio único de que decorre aquele fundamento.

Porque, em segundo lugar, assegura a propriedade, resultado do trabalho honesto, condenando a posse, às vezes legal e na maioria dos casos ilícita, dos bens mal adquiridos. A propriedade é a projeção do homem no espaço, do mesmo modo que a família é a projeção do homem no tempo. Essas projeções são inerentes à sua natureza e se completam. O erro liberal está em conceder ao homem somente direitos de proprietário sem exigir-lhe os deveres que o habilitem a esses direitos. O erro comunista está em abolir esses direitos. O Integralismo reconhece uns em função dos outros, proclama-os e garante-os.

Porque, em terceiro lugar, afirma a família como base natural e eterna da sociedade, o primeiro grupo humano, o grupo biológico, que variou nas formas, conforme os ciclos culturais, mas que foi invariável na essência. Da família nasceu a tribo, da tribo a cidade ou a nação. Nos povos primitivos, as cidades e nações guardavam as memórias das tribos e as tribos, a das famílias, iniciais. Vê-de as em Roma; vêde o culto às famílias iniciais de Ba-Hô, na velha China. Afirmar a família é mais do que afirmar somente a liberdade, como fazem certos comunistas. O indivíduo isolado torna-se fraco. Reunido a outros, fortalece-se. Se essa união, além de outros laços, tem os do afeto e do sangue, mais forte ele se torna, sobretudo moralmente. A família é, pois, o núcleo basilar da liberdade moral do homem. Mergulhado na massa comunista, o indivíduo se torna um divíduo, uma parcela sem personalidade. Quem não tem personalidade não pode ter liberdade, porque liberdade é afirmação. Afirmação é consciência. E a personalidade do homem se reforça, apoia e a emoldura na família.

Quando o comunista brada por liberdade exige o menos, exige uma simples função. Quando o Integralista afirma a família, afirma o máximo, afirma o órgão capaz dessa função.

Porque, em quarto lugar, afirma a Pátria como uma comunhão de um território e do espírito de um povo, uma comunhão de interesses materiais, de sentimentos, de dores, de esperança, de anseios, de alma — o casamento de um solo e de um povo, na frase de Renan. A Pátria é a posse de um chão, posse material e moral. Sem essa posse, não é possível garantir terra a nenhum filho do mesmo país. A terra internacionalizada é de todos os povos.

Quando o comunista pede terra, pede o menos, a superfície arável, plantável, trabalhável, capaz de produzir searas ou pastos. Quando o Integralista afirma a Pátria, afirma o máximo, a terra em superfície e em profundidade, em toda a sua força material de produção e com toda a sua força moral de projeção no passado e para o futuro, a terra adubada com as cinzas de seus antepassados.

Combater o capital— hipertrofia do indivíduo, hipertrofia do grupo, hipertrofia da sociedade anônima, hipertrofia da finança internacional, hipertrofia do judaísmo, hipertrofia, afinal, do Estado com o Capitalismo de Estado de Lênin — é um trabalho de Hércules. O Integralismo não se arreceiou de meter ombros à empresa. É por isso tão anti-capitalista quanto anti-comunista.

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